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17/10/06

Prós e Contras - 16/10/2006

Debates como os de ontem, pela abordagem esmiuçada dos assuntos, pela defesa de ideias e pela frontalidade demonstrada, são de inquestionável utilidade para o esclarecimento e para a formação da opinião pública.
Sentiu-se no frente-a-frente a convicção e o calor da argumentação, à mistura com algumas teimas que persistiam (e persistem) após as ditas 30 reuniões. Entre poder central e local, houve uma das partes - o Ministro António Costa - que esteve claramente pior sobretudo no final, ao cair na tentação de invocar episódios que só levam à lavagem de roupa. Isso não interessa e o tiro vai sempre para o próprio pé.
Nota positiva para a RTP1 que à segunda-feira, em prime-time, dá excelente alternativa ao entretenimento das novelas da moda.
Para conhecer outra opinião, ir aqui.
Algumas frases a recordar:
«Há alguma aberração no urbanismo do litoral, que não tenha levado a chancela das C.C.R.? (estado)» Fernando Ruas;
«Os cidadãos quando votaram para as câmaras sabiam quem ia ser o presidente e os vereadores; quando votaram para o governo sabiam apenas quem ser o primeiro-ministro, não sabiam quem seriam os ministros; só o das finanças já mudou 2 vezes...» Fernado Ruas.

01/10/06

Lei das Finanças Locais - Actualizado

O braço de ferro entre o Ministério da Administração Interna e a Associação Nacional de Municípios está, à partida, irremediavelmente ganho pelo governo, e por mais que o dr. Fernando Ruas se mande ao ar o parecer da ANMP não passa disso, não é vinculativo.
Esta proposta de lei já teve 30 acertos e ainda não tem luz verde. Mas o principal desacerto, está associado ao limite da capacidade de endividamento das câmaras. Segundo a ANMP, 205 câmaras terão a capacidade esgotada. Pelas contas do governo serão apenas 70. Uma coisa é certa, nenhum autarca quer limites mais apertados ao crédito, e alguns continuam a encolher os ombros e a pagar aos fornecedores a 90 dias, no mínimo… (mas o mau exemplo de pagar tarde e a más horas já vem do próprio estado...)

Para ilustrar a realidade do interior de Portugal, o Expresso deste Sábado, foi buscar o caso da câmara de Condeixa-a-Nova; vejamos o que diz o presidente local:

“Todos seremos penalizados. No nosso caso vamos cortar no investimento e reforçar o controlo da despesa corrente”, frisa Jorge Bento, indicando que já deu instruções aos serviços camarários para cortarem nas despesas com telefones, correios, electricidade e frota de carros. A redução de verbas, nesta nova lei, é um dado adquirido. Para compensar a eventual perda de dinheiros públicos, a autarquia está a estudar a possibilidade de aumentar o IRS, pois o IMI já é aplicado na sua taxa máxima. Naturalmente, as famílias vão sofrer com o aumento de algumas taxas, como o da recolha de resíduos urbanos. O agravamento dos preços da empresa intermunicipal, que subiram este ano 11%, vai implicar uma actualização da taxa, que mesmo assim não cobre a nossa despesa.

Depois de ler este exemplo de “engenharia financeira”, que deveria incidir, sobretudo, nas opções do plano anual municipal de investimentos, nos subsídios a atribuir a entidades externas, etc..., ficou a pairar no ar a sensação de que os munícipes serão outra vez lesados ao verem mais do seu dinheiro ir directo para os aumentos das taxas sobre serviços municipais, como a recolha de resíduos sólidos urbanos. Sente-se que o dinheiro será canalizado para pagar os acréscimos de custos no funcionamento dessas empresas inter-municipais, tal como suspeitava Paulo Portas, há uns anos atrás, de serem umas dispensáveis pequenas máquinas burocráticas de municípios de braço dado. Igual sensação fica sobre o financiamento das despesas correntes da câmara, uma vez diminuído o montante transferido pelo estado, há que refazer o quadro de receitas e encontrar novas fontes - pois o IMI está no máximo - para se pagar o telefone, a Internet, o aquecimento, a electricidade, o ar condicionado, as resmas de folhas A4, o toner, os tinteiros, que tanta falta fazem aos serviços camarários…

Adenda: ouvi o prof. Marcelo nas suas escolhas, sendo pertinente a referência a 2 pensamentos:
-«Nada nos diz por algumas autarquias não aplicarem bem os seus dinheiros - há autarcas competentes e incompetentes - que o estado, por seu turno, os aplique bem!». Ou seja, e agora já sou eu, volta a questão de quem é que fiscaliza e dá pareceres sobre o desempenho governativo do estado/governo, que foi eleito de igual forma que as autarquias, ou seja, por sufrágio universal.
-Depois, o que é que deverão ser as autarquias no futuro, e isso deverá começar a ser pensado agora no presente, considerando que a importância delas, em países desenvolvidos, é bastante superior à que atribuímos no nosso.

03/07/06

Cândido


Bem, o que é demais fede! Ele é intifada, ele é troglodita, ele é o Portugal a dois tempos, ele é a nova geração de autarcas…

Já não está na hora de colocar uma pedra sobre o assunto?!
;)