27/08/06

Opiniões de domingo à noite

Acabei de desligar a televisão. Estive na última hora, ou quase, a ouvir o prof. Marcelo na RTP. No fim, monologou, novamente, que a TVI tem os "Morangos com açucar", e que é fracturante, e que fez clivagem na novela portuguesa. A SiC tem a "Floribela" - com dois L - que é um conto de fadas, segundo a Teresa Guilherme, e procura ser transversal, ou melhor, abrangente, do petiz ao patriarca. E diga-se também, aproveitando a onda, que a RTP, porque deve ir à luta (ou não?!) por um lugar que lhe permita boas receitas de publicidade, tem o professor Marcelo Rebelo de Sousa aos domingos, cujo eco das opiniões, em muitos domínios, prolonga-se pela semana toda reverberando na cabeça do português médio. E pronto, ficamos por aqui - disse o professor depois da Flor Pedroso ter alertado que a intervenção já ia longa demais - já não há tempo para os livros..., mas, ainda houve tempo para agradecimentos e para menções a prémios atribuídos que o professor achou que sim...


Recomendo, já agora, visto não ter havido sugestões literárias do prof. - vamos ter pela frente uma semana literária sem norte - que se leia o livro "Portugal, Hoje - O medo de existir" de José Gil. Aí é feita, entre outras, uma pequena reflexão acerca da influência dos comentadores sobre a sociedade portuguesa, ou melhor, sobre o português comum.

6 comentários:

Cazento disse...

Ora viva, Víctor!

Estava longe de pensar em encontrar aqui uma sua recomendação para o livro "Medo de Existir" remetendo para a minha humilde opinião no outro lado.

Por acaso ontem não tive oportunidade de ver e ouvir os comentários do professor Marcelo, pois a essa hora vinha eu calmamente a atravessar a Vasco da Gama e a pensar na minha vidinha.

Mas geralmente costumo ver.

Ora então ele desta vez perdeu-se com as novelas e até se esqueceu de falar dos livros, hem! Imperdoável ó sr. professor!

Um abraço,
João

V.F. disse...

Viva João!

A sua opinião, como já tive ocasião de lhe dizer, está muito boa, e lembrei-me dela e do livro quando ontem reparei no servilismo da entrevistadora e no fleumático ar do professor quando deram a entrevista por terminada.

Mas isso das novelas não foi nada, havia de ter visto o ensaio sobre o "caso Mateus"! Desse, francamente, até gostei.

E o caso do Eduardo Cintra Torres, jornalista no público, acerca da acusação que fez à RTP: adivinha-se, logo à partida, a posição do prof., ou não fosse aquele um programa (ou um monólogo) do canal público.

Um abraço
Victor

Patrícia Geraldes disse...

Pois eu sou adepta do Prof. Marcelo. É raro perder um programa. É que, ao contrário da maioria, consegue-me pôr a pensar em coisas que não me interessaria à partida, ou, por outro lado, a discutir assuntos que não queria, como é o caso desse Mateus que está a pôr o mundo do futebol do avesso. Eu gosto, mesmo quando ele se perde por novelas e conversas fiadas ou assuntos que não têm nada a ver com nada. E quanto aos livros: ele lê muito, mas duvido que os leia todos. Assim, dá-lhe mais tempo para os conhecer melhor...
Jinhos e fica bem

V.F. disse...

Oi!
Quanto à relação Prof. Marcelo/RTP, é um caso amoroso digno de estudo, da mesma forma como o foi com a TVi. A RTP está-lhe a dar demasiada importância, coloca-o no prime-time em alongadas intervenções.

Para mim, algumas das opiniões são excelentes, mas apenas aquelas que se inserem no campo de acção de sempre do Professor, que é o direito e a política. Por exemplo, gostei muito de ouvir sobre o caso Mateus, onde adiantou algumas ideias para a resolução que até aí ninguém alvitrou – pois tudo e todos, na altura, andavam às avessas à procura de culpados.

Outra coisa que lhe admiro é a simplicidade de raciocínio, começando sempre a abordagem ao tema com um conciso resumo, ou seja, “first things first” que é para percebermos bem o contexto – isso são prácticas de académicos que dão aulas, mas as prácticas que me agradam ficam por aí porque depois o professor entra em velocidade de cruzeiro e faz o que lhe apetece perante a passividade da entrevistadora.

Quer dizer, aquilo torna-se numa série de lições que me fazem lembrar as conversas em família; e quando damos conta (se é que alguém dá...) fala-se de televisão, ciência, futebol, arte e livros. Desta última vez, admirei-me acerca do seu conhecimento sobre células estaminais: as que se separam, as que não, enfim, explicou tudo acerca da importância destas, mas como uma informação técnica - se ele metesse os pés pelas mãos nem dava conta. Será que temos rigor nalgumas opiniões?
Além disso só vemos uma perspectiva, é a dele e mais nenhuma.

É-lhe dado muito tempo de antena e ele sabe o que isso representa: poder! Poder perante o público porque lhes começa a condicionar fortemente a opinião, e isso é uma perigosa tentação.
Marcelo está a tornar-se num oráculo, num guru, e para todos os males e bens.
Beijinhos

Patrícia Geraldes disse...

Ok. Percebo o teu ponto de vista, mas que acharias melhor? Tirar-lhe o tempo de antena para não se tornar no tal guru que falas? Não achas melhor existir um ponto de vista do que nenhum? E quanto a assuntos mais complicados, é mesmo assim, às vezes não existem termos que facilitem a sua explicação...o das células estaminais é um deles...acho...
Este género de entrevistas é mesmo assim. Se colocassemos 2 ou mais pontos de vistas seria um debate e não duraria 30 minutos, mas sim 2 ou 3 horas e não se tirariam grandes conclusões...
Não o tornando em guru, a mim facilita-me o entendimento de várias questões. Quanto ao ponto de vista dele, tenho o direito de o aceitar ou não. E pronto.
Fica bem

V.F. disse...

O país da não-inscrição


José Gil no seu livro " O medo de existir" - entretanto caído no esquecimento - falou do país da não-inscrição. Cito: "(...) Foi assim também que a vida social portuguesa, agora pacificada, normalizada, viu a não-inscrição reassumir os seus privilégios em todo o seu esplendor. (...) E se tudo se desenrola sem que os conflitos rebentem, sem que as consciências gritem, é porque tudo entra na impunidade do tempo - como se o tempo trouxesse, imediatamente, no presente, o esquecimento do que está à vista, presente.(...)"
Vem isto a propósito do que se tem passado nas últimas semanas neste país.
Revelações inequívocas de corrupção no Futebol, com os protagonistas a serem premiados com tempo de antena no prime-time da televisão pública. Alguns dos figurões aproveitam mesmo para lançar ataques aos antigos compinchas que respondem com ameaças claras. Consequências deste estado de coisas? Tudo na mesma.
Souto Moura sai de cena e deixa concluído o processo, urgentíssimo segundo o estranho léxico de Sampaio, com a acusação de dois.... jornalistas.
Um deputado da maioria - João Cravinho de seu nome- tenta inscrever na agenda política o combate à corrupção. Debalde.

RETIRADO DO BLOG:
http://pedradohomem.blogspot.com/
publicado a 24/09/2006