10/08/06

O mês dos franceses

Não será de todo errado designar assim este modorrento mês, onde metade do país está de férias e a outra a meio gás. Para colorir o ambiente e alegrar os comerciantes, sobretudo nas regiões do interior, surgem todos os anos nesta altura, milhares e milhares de peugeot´s, renault´s e citroen´s com chapa amarela gaulesa, que largam os emigrantes e os filhos na “santa terrinha”, de visita aos parentes que estão “au Portugal”.

Ademais, enchem feiras, mercados, centros comerciais, bares e esplanadas, soltando ruidosas conversas em francês, salpicadas de pequenos excertos em bom português, cujo ímpeto lusitano os torna intraduzíveis para a língua da (2.ª) pátria.
Tal foi o caso ontem, numa esplanada, quando uma esbelta “petite française” relatava, em francês, as suas magníficas aquisições de vestuário enquanto as amigas inquietavam-se com o preço e com os modelos, insurgindo-se de repente um rapazote, já espigado, de boné à “Boy George”: <…olha, se fosses à feira na terça, era ainda mais barato, car*****!>
[Ilustração do tempo da mala de cartão]

8 comentários:

Patrícia Geraldes disse...

Boa disposição para animar ainda mais o dia de hoje...
Realmente uma caricatura fantástica dos nossos "avecs"! Mas mês de Agosto sem estas jóais e as festas não é mês de Agosto, não é?
Beijinhos e até um dia destes!!!

AJ disse...

Grato pela atenção!
Não pode e quer ajudar o Viriato?

http://www.bubbleshare.com/album/54839.6fdd830c046/overview

Bem-Haja

AJ

V.F. disse...

Olá Patrícia!
O que referes sobre o mês de Agosto, com os nossos avec´s, essencialmente aqui nas beiras, tem muito de verdade. De facto, as festas populares agora para o dia 15, não teriam o mesmo sabor (nem, se calhar, a mesma dimensão...). Muitas famílias, os amigos, as comissões de festas, aguardam os parentes emigrantes. Enfim, ainda desempenham um forte papel os nossos emigrantes e os seus euros franceses, luxemburgueses, alemães, etc.
E se tu fores para Trancoso, certamente te vais cruzar com muitos deles! U lá lá
Beijinhos, e bonnes vacances!

V.F. disse...

Aj
Com certeza que sim!
Lá deixarei o meu comentário.
De Viseu e dos seus ícones sobre Viriato, há que louvar muito quem os criou e dinamizou. Não é conhecida em Portugal tanta devoção. Por isso, apesar de muitos defenderem que Viriato nasceu na faixa litoral, é de toda a justeza relacionar consigo, a cidade, muitos dos estratagemas defensivos que Viriato desenvolveu, e o orgulho e galhardia Lusitanos, simbolizados na estátua.
Um Bem-Haja
Victor

Cazento disse...

A propósito dos nossos emigrantes em França, vi um dia destes na TV um documentário verdadeiramente excepcional, recuando 40 anos atrás no tempo e mostrando todo o processo de emigração clandestina dos nossos compatriotas para aquele país. Foi uma autêntica diáspora. Em 10 anos saíram cerca de um milhão de pessoas de Portugal. Parece incrível.
Não há dúvida que os destinos do povo Português e Françês estão de alguma forma irremediavelmente ligados. Eu não tinha consciência desse facto.

Adorei ver aquele documentário.

Um abraço,
João

V.F. disse...

E eu que diga, tendo em conta familiares meus, não só na Europa, como na América do norte.
Exacto, estão irremediavelmente ligados, goste disso o Le Pen, ou não.
Com o mesmo sentido da sua afirmação, já com os magrebinos, queriam arranjar um remédio para estes se desligarem de alguns costumes seus, e se diluirem pelos franceses; mas, pelos visto, "ainda" não conseguiram.
Um abraço,
Victor

magarça disse...

Em Estorãos, uma aldeia ao pé de Ponte de Lima, celebram sempre o dia da N. Sra. dos Emigrantes. São três dias de tortura, a ouvir ranchos folclóricos e música "romântica", das 9.00 às 22:00. Não há como escapar à festa...

V.F. disse...

Fez-me lembrar um brasileiro de uma vila do interior de Minas - que conheci por aí - acerca do carnaval, também para ele era uma tortura quando chegava a altura do carnaval!