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27/03/07

o ano do dr. Salazar


O melhor e o pior português de sempre! É obra para quem já foi de charola há quase 30 anos ainda ter tantos fãs, e jovens alguns.
Mas, adicione-se agora um título ao outro e divida-se por 2. O resultado? Salazar igual a si mesmo e aos 70.000 portugueses que nele votaram e que espero, espero mesmo, que no dia 25 de Abril, de manhã, dêem um jeitito às couves da horta e à tarde façam uma visitinha ao Vimieiro...
Pensem lá bem: começando por esta "treta" dos blogues, já se imaginaram sem eles, com a censura a cair em cima, livros e filmes proibidos, isqueiros e afins, parvos orgulhosos com o "canudo" do 5.º ano na mão...
...prontooo! A votação foi um protesto encapotado. Vamos ver lá mais para a frente, o que é que se ganhou com isto.

02/09/06

Serviço Público na 2 - A Ponte de Todos

Há documentários que prestam um excelente serviço a quem espera assistir a boa televisão. Foi o caso do “A Ponte de Todos” na RTP2, um trabalho da jornalista Isabel Saint-Maurice que faz uma abordagem aos 40 anos da ponte 25 de Abril sob vários aspectos, desde o técnico ao social, incluindo o económico, o histórico e o urbanístico.
Estes sim, estes documentários são verdadeiras pontes que fazem chegar ao grande público – a 2, infelizmente tem pouco público – um caudal informativo e cultural.

Post scriptum: #1-Salazar não queria o seu nome dado à ponte; #2-Próximo da data da inauguração, num grupo de engenheiros junto à ponte, alguém comenta efusivamente com Salazar que o último piso de um hotel em Lisboa estava cheio de americanos para participar no evento: este, impávido e sereno, naquela voz “cândida” que Deus lhe deu, retorquiu: «A conta cá há-de cair…»

23/08/06

"Portugal não é um país pequeno"

Há cerca de 50 anos atrás, difundia-se pelas escolas e outros locais, juntamente com os célebres livros de leitura da 1.ª, 2.ª, 3.ª e 4.ª classes – cuja capa da 3.ª é belíssima, diga-se – imagens propagandísticas da doutrina do estado
novo e da grandeza do país. A cartografia do Secretariado da Propaganda Nacional ficou conhecida pelo célebre mapa encimado pelo título: Portugal não é um país pequeno”.
A ideia era simples, mas brilhante simultaneamente, pois cumpria os propósitos pedagógicos de educar as
mentes dos mais novos e de fazer
perceber
aos mais leigos a vastidão de Portugal em termos territoriais, no qual eram englobadas as “parcelas” ultramarinas sobrepostas à Espanha, França, Alemanha, e à maioria dos países da Europa de leste. O império português aparecia com um somatório de 2.168.071 Km2.

Em 1975 voltou a ter os merecidos 89.106 Km2 de sempre, incluindo os Açores, a Madeira e o Algarve!

18/08/06

Marcello Caetano - delfim aos 62 anos

Fez ontem 100 anos do nascimento de Marcello Caetano.
Vi, li e ouvi muita coisa. Algumas delas ainda cravejadas da repulsa ao regime autoritário e ditaturial, que herdou de Salazar.
Contam-se hoje, 39 anos desde que Salazar foi afastado do poder, emergido, na altura, tardiamente o professor de direito, vítima também da política do regime, que apesar de tudo, estoicamente defendia. Então, com 62 anos, não demorou muito a perceber que o fim do regime estava próximo, mesmo apregoando a "evolução na continuidade" para agradar aos "ultras" e à oposição em simultâneo. Marcello, dividido entre a ala defensora do regime e a ala reformista e liberal, foi dando conta que já não tinha soluções para concretizar "pequenas" reformas que, a levar a cabo, deveriam ter sido iniciadas há pelos menos uma década.
Foi derrubado por uma "acanhada" revolução. Sim, acanhada porque começou num movimento conduzido por oficiais intermédios, sem o apoio visível das grandes patentes, ou seja, sem grande autoridade e meios que assegurassem melhor planeamento e melhor difusão da informação.

O amadorismo do movimento e o seu resultado foram espantosos, e arrepiantes também. Quando me recordo da imagem da coluna de blindados, que vinha de Santarém, parar ao stop vermelho na entrada de Lisboa - Capitães de Abril, Maria de Medeiros -, ou a saída nocturna e extemporânea de Marcello, de sua casa em Alvalade para o quartel do Carmo, na noite de 24 para 25, passando na baixa por patrulhas do M.F.A. que não reconheceram o seu carro - Vasco Pulido Valente, in o Público, 17/08/2006 - até à queda encabeçada por Salgueiro Maia no Carmo, quando este ameaça o presidente do conselho de ministros, dizendo que arrasava o quartel a tiros de canhão; ao qual Marcello respondeu - «Não arrasa coisa nenhuma!»

Como se pode ver, na nossa revolução de Abril, houve episódios burlescos que classificam o seu planeamento e a sua execução, que não deixam de reflectir o amadorismo com que foi realizada. Está ali um pouco de nós...

Mas quem quiser recordar Marcello, é preferível fazê-lo como o distinto professor de direito, doutorado aos 25 anos, e que fundou uma verdadeira escola na faculdade de direito de Lisboa, de onde saíram e saem, discípulos da disciplina e da teoria jurídica que Marcello edificou. A sua vocação era o ensino, como justificam as "Conversas em família" implementadas na sua curta primavera de poder, e não a política, onde aliás falhou.
Nota: constatei nestes dias, como era de esperar, a ignorância em torno de Marcello. Não que tenha sido uma grande figura, mas a ignorância em si. Há portugueses que têm somente a ideia de que esta foi uma página da história entre Salazar e o 25 de Abril. Seria didáctico que fossem repensados os programas de história. Houve brilhantes exemplos que se repercutiram nos media nesta última semana. Eles são o mote.
(Foto: Livro - As desventuras da razão - Vasco pulido Valente - Ed. Gótica/2003)