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09/10/07

Paris antiga e Quartier Latin

Ai se eu soubesse ler francês decentemente!... ia ser o caminho para a bancarrota. Aqueles expositores ao longo do Sena, na rive gauche, e a cabeça quase perdida. Literatura - colecções antigas -, e pintura apelando a Montmartre e aos pintores holandeses do impressionismo. Nem tudo ficou perdido, não se leu em francês, de pinturas não comprei nada, mas, experimentou-se cuisine française.

02/10/07

Le coeur de Paris


A vista frontal da Pirâmide. Alguém já lhe chamou uma cicatriz no solo de Paris. Eu não acho. A estrutura é indicativa da entrada principal, é transparente, tem o formato de uma jóia lapidada, entre muitas outras do Louvre, e acima de tudo é um sinal de modernidade equidistante às fachadas solenes do edifício do museu. A propósito do Louvre nos anos 70, recomendam-se as pistas deste extraordinário vídeo.

01/10/07

Paris Je T´Aime

Realizador: Vários (Gus Van Sant, Alfonso Cuáron, Joel Coen, Walter Salles, Alexander paine, Wes Craven, etc...)
Actores: Seteve Buscemi, Juliette Binoche, Nick Nolte, Willem Dafoe, Natalie Portman, Bob Hoskins, Gena Rowlands, Rufus Sewell, Emily Mortimer, Gérard Dépardieu, Ben Gazzara, Ludvine Sagnier, Fanny Ardant, etc...
Ano:2006
Classificação: Excepcional


Vi-o num dia destes à noite, até altas horas da madrugada. Não se trata de um filme convencional, mas de um encadeamento de histórias distintas com personagens e atmosferas diferentes. São todas rodadas em Paris, cada uma com 5 a 6 minutos e dirigidas por um leque de realizadores internacionais – “c´est un film colectif”. Tal e qual como um livro de contos ou fábulas de vários autores, onde cada um discorre sobre o mesmo tema na sua curta-metragem. Muitos deles são episódios insólitos, alguns com um realismo aceitável, outros inverosímeis ou hiperbolizados, mas a arte destes génios da câmara, aviva e alerta a mente por vezes de forma tão simples e singela, sobre o que significa viver num amontoado de edifícios monumentais ou periféricos, entre 10 ou 12 milhões de pessoas, realçando as suas consequências, sobretudo as intolerâncias do cidadão para com a comunidade retalhada.

Falado maioritariamente na língua de Truffaut, apresenta uma ou outra história em inglês que com certeza não iria agradar ao ex-presidente Chirac. Repetindo uma das deixas que ainda ecoam na cabeça: “Podias falar em françês, uma vez que estamos em Paris”, retorquiu Ludivine Sagnier a Nick Nolte, em Parc Monceau.
Assim interpretei o filme, à mistura de um cheirinho forte da cidade luz ou da cidade do amor, com todo o seu misticismo e encanto arquitectónico tão próprios, tal como o é o seu cosmos que abraça um sem número de raças, credos e estilos de vida, talvez só superado, na Europa, por Londres. Voltando à componente social, muito bem representada, fala-se da dualidade entre franceses e emigrantes, estes últimos magrebinos, árabes, asiáticos e sul-americanos confinados quase sempre, às periferias da memória urbanas num tom cinzento que o betão galopante confere.

É claro que o retrato de uma cidade como Paris, mesmo quando filmada pelos mais jovens realizadores deste lote, vem sempre carregado de emoção e nostalgia. Tal seria impossível de evitar porque em qualquer enquadramento a cidade revela sempre um retalho de uma fachada ornamentada a pedra calcárea, ou o traço das ruas com o equilíbrio geométrico de Haussman, ou uma placa do metro sugerindo a Art Nouveau da Belle Époque, encimados pelo raio de luz giratório emanado da Torre Eiffel ao som de um acordeão.
O meu imaginário desta cidade foi, e é, sobretudo romântico. Penso que nunca deixará de o ser, por isso concluo que Paris não muda, jamais estará diferente da última vez que a vimos... Os amantes terão sempre a sua Paris, como sentenciou Humphrey Bogart a Ingrid Bergman em Casablanca. Esta semana, se Deus ou o Diabo quiserem, vou cultivar esta minha admiração à cidade que Von Choltitz poupou da destruição na 2.ª guerra mundial, como bem me recordou o Cazento.
Place des Victoires de Nobuhiro Suwa, Père-Lachaise de Wes Craven e Place de Fêtes de Oliver Schmitz, das 18 peças, estas foram as minhas preferidas.

28/09/07

Paris é Uma festa

Paris, primeiro avanço.

A pesquisar se vai entendendo o porquê das coisas, peça a peça. Em 1955, o jornalista Garcia Marquez, foi enviado à Europa pelo jornal colombiano El Espectador. No ano seguinte, com o jornal fechado pelo governo, exila-se em Paris e experimenta um período com muitos problemas financeiros. Foram tempos difíceis, onde ensaiou e amargou a vida do artista sem rendas, dependendo apenas de "milagres quotidianos" que lhe garantiam alguns francos, mas que lhe fomentaram uma das fases mais produtivas enquanto escritor. Saem para o papel Os funerais da Mamã Grande e
Ninguém Escreve ao Coronel. Este último, escrito e reescrito inúmeras vezes durante esse ano na cidade luz, relata uma história latino-americana de um Coronel reformado e de sua mulher asmática, que religiosamente, todas as sextas-feiras, se apresenta nos correios expectando a chegada da prometida reforma. Enquanto a dita não passa de promessa, percorremos uma fantástica viagem literária de peripécias que tentam afastar a miséria e dar algum sentido à vida. Deve ter sido o que o desafortunado colombiano passou nesse ano em Paris, como contou acerca dos dias a fio em que descia as mesmas escadas até ao correio aguardando ansiosamente a correspondência de Bogotá. O mesmo ano em que Marquéz e a mulher mediaram as crises conjugais do casal Vargas Llosa e que lhe valeram, tempos depois, um valente soco em cheio no olho esquerdo, do colega peruano.
Dos tempos de Paris o resultado quedou-se nesse brilhante retrato da velhice e da burocracia sul-americana: Ninguém Escreve ao Coronel, adaptado também ao cinema em 1999, por Arturo Ripstein.

Isto a propósito da influência que a capital francesa e a sua cultura exerceu sobre mais um escritor, entre tantos outros estrangeiros, Eça, Hemingway ou Vila-Matas...

Só passei uns dias em Paris, em 1994, mas após essa estadia já viajei até aos seus bairros e às margens do Sena por várias vezes. Ainda há pouco aí fui pelas páginas do Fio de navalha de Maughan ou pelas curtas metragens de Paris Je T´Aime. Vamos ver que dias me esperam. Molhados, seguramente. Mas, até lá, segue-se Paris Nunca Se Acaba de Henrique Vila-Matas nos anos setenta.

À Nuit Blanche de Paris, vou falhá-la por um dia, quem diria. Semelhante àquela que se realizou em Madrid, além do mais até por ser a noite original conceptual, a Nuit Blanche é uma noite em que não se dorme por esta oferecer inúmeros espectáculos de rua e por ter os museus e outros estabelecimentos públicos abertos, para que os naturais, e eventuais turistas, possam desfrutar destas actividades, eventos e exposições artísticas de forma contínua e grátis. Pede-se somente a São Pedro que não chova. Nem é preciso sol, basta o bom tempo.

06/07/07

Paris Je T´Aime (Snow Patrol - Open Your Eyes)

Nos últimos tempos, não vi melhor vídeo que captasse a essência ou o verdadeiro espírito da vida parisiense dos anos 60, como o da foto. Neste vídeo dos Snow Patrol, rodado ao crepúsculo parisiense, por alguém nos anos sessenta, somos colocados dentro de um carro percorrendo as artérias da cidade-luz, onde os elementos dominantes são as fachadas que passam umas atrás das outras, gravando na memória imagens instantâneas, como clarões, esbatidas da velha, mas elegante Paris, enfeitada por carros de boa memória que marcaram uma época ; elas estão lá, nós sabemos quais são, Simcas, Citroen´s bocas de sapo, Peugeot´s 404, dois cavalos, pulvilhados por pombas que levantam voo à nossa passagem. Enfim, pedaços de uma França aparentemente perdida no tempo que nunca mais se há-de reaver, de onde só restam ecos da revolução de 68, desse Maio, vivo e imortalizado na memória de tantos franceses.

A contrastar a música é tipicamente britânica, mas para mim as imagens foram fortes demais, ficando a melodia, naquele ritmo frenético, arremessada para um segundo plano. Só me agarrei aos que os olhos viam, transportando-me por um breve período para o filme de Bertolucci - Os Sonhadores. Quem ainda se lembra? Quem viu esse filme e dele não se lembrar, digo com convicção que os verdes anos, os da verdade e da ilusão, para esses, não contam. Uma juventude que não conta é prenúncio de uma vida cinzenta que não colhe.
A propósito: um filme: Paris Je T´Aime, estou em pulgas para o ver.

Este vídeo, no final, arrebatou-me. Recorro também a lembranças do Fabuloso Destino de Amélie. A escadaria do Sacré-Coeur como fundo, a vista de topo sobre a cidade envolta na bruma das 6 da manhã, e um rendez-vous : "C´était un rendez-vous avec une jeune fille française". (Foi um clarão de luz na madruga. Recuei eu também, alguns anos para a minha Coimbra, para a irreverência, a academia...)