14/06/07

1984, GEORGE ORWELL

Leitores do The Guardian elegeram o livro de Orwell como o mais emblemático do século que terminou.





A visão de um futuro totalitário em que as pessoas são controladas e permanentemente vigiadas e manipuladas foi considerada, pelos leitores do jornal britânico The Guardian, como a que melhor resume o espírito do século XX. Este universo foi criado por George Orwell no romance 1984, eleito o mais definitivo dos livros do século. Segundo o estudo, as características que melhor definem os anos 1900 são a paranóia, a propaganda e um estado perpétuo de guerra. O livro de Orwell, que inspirou e deu nome ao reality show Big Brother, foi escolhido numa lista de 50 obras. [Diário de Notícias, 04-06-2007].


Nota: a publicação que li é a do lado - colecção Mil Folhas, do Público.

4 comentários:

Iceman disse...

OLá Victor!

Curiosa essa escolha.

Com centenas de outras obras para escolher, foi então eleito o "1984", livro que já li e precisamente a edição da colecção "Mil Folhas".

Será que vivemos numa fobia tão grande sobre o facto de estarmos ou sentirmo-nos constantemente vigiados e controlados, que faz com que as pessoas procurem e tenham essa obra como a mais emblemática do século XX?

Se calhar sim, se calhar não. Até porque, e pelo menos em Portugal, aqueles que são "escutados" porque andam a fazer, vá lá, sacanices, escondem-se sobre a inconstitucionalidade dessas escutas, logo e digo eu, "1984" ainda está para chegar.

Um abraço
Nuno

V.F. disse...

Por princípio, se esta votação tivesse data de 1980, ou mesmo já na década de 90, eu diria que era simbólica porque seria demonstração do fracasso dos regimes totalitarista e do comunismo. E claro, as sociedades ocidentais elegem sempre obras emblemáticas que fazem, por intermédio de alegorias, precisamente essa demonstração. Isso para não falar no talento de Orwell (cujo nome original é diferente deste).

Quanto aos dias de hoje, tendo sido derrubados nas nações do ocidente os regimes ditatoriais, pode-se dizer que há liberdade de muitas espécies, e há democracia. Certo é também, devido a este clima, que quando se suspeita de qualquer tentativa de impor vícios desses "regimes do passado", ficam logo a descoberto e são logo apontados. Digamos, que as sociedades estão hoje muito sensíveis a isso.
Aliás, o nosso país está a viver uma novela que apresenta sintomas de tais regimes, como é o caso da DREN...

Também é certo que as tecnologias permitem aos estados instrumentalizar e manipular muito da vida dos cidadãos. Isso é óbvio. Qualquer dia é o estado que preenche, conforme lhe apetece, a nossa declaração de IRS...

Enfim, é um pau de dois bicos. Digamos que estamos numa liberdade condicionada, e não vejo que deixe de o ser nem em 2984, eheh!

Abraço

Cazento disse...

Olá, Víctor!

Também acho esta uma curiosa escolha, no entanto não posso falar muito porque ainda não li o livro. Aliás, não li ainda porque na verdade, nunca tive intenção de o ler a não ser que surja uma boa oportunidade.

Do resto da lista: O Admirável Mundo Novo, esse sim, tenciono ler, As Vinhas da Ira já li há uns dois ou 3 anos e opinei no defunto Livra, O Diário de Anne Frank também li e adorei-o emocionadamente (e também opinei sobre ele no defunto Livra), os outros mencionados na lista não li. Acho também curiosa a inclusão de O Diário de Bridget Jones na lista, mas pensando bem, talvez até o compreenda.

Abraço,
João

V.F. disse...

Achei o livro bastante interessante fruto de uma imaginação pródiga. Não é fácil falar sobre ele, contudo imaginar a sociedade de que ele fala e do humanismo que releva, já não será assim tão difícil. Para mim, inclui-se nos clássicos.

Agora, admirado estou eu com a inclusão do Coração Nas Trevas. Nunca o li, nem pretendo. Já li sim, críticas. Más críticas.
Mas tratam-se de leitores britânicos, que por exemplo, não querem nada com García Marquez ou outro qualquer autor latino.

Os outros que refere, As Vinhas da Ira e o Admirável Mundo Novo, são para um dia. Um dia. Com a Bridget não quero nada :)

Abraço,

Victor