10/09/07

Ganhar em Bolsa, Fernando Braga de Matos

Diz a Webboom, que este livro tem um propósito claro: desmistificar o jogo na bolsa.
A ideia nuclear de Ganhar em Bolsa é a de que qualquer pessoa, e não obrigatoriamente um perito, desde que dotada dos conhecimentos adequados e informação suficiente, pode seguramente ganhar na Bolsa, possivelmente muito e eventualmente de modo extraordinário, mesmo usando uma estratégia avessa ao risco.
Para tanto nem sequer é imprescindível grande empenhamento de tempo, embora se exija uma permanente e qualitativa atenção
.
É um livro pedagógico e de leitura obrigatória para qualquer interessado no mercado de capitais.

Eu digo que a
bolsa é sem dúvida uma grande e pantanosa mesa de póquer, onde não se vêm os outros jogadores e onde sucedem os mais inesperados acontecimentos. Ninguém pode dizer que se conhece o que se pisa. Quando muito pode haver um “felling” ou um sexto sentido, que acompanhados por algum sangue-frio, definem a sorte do predador. Eu acredito nisso.
Porém, quando a evolução de um determinado título é contínua, e não havendo qualquer réplica no historial que o desminta, a confiança pode instalar-se perigosamente como muita vez já vi, e senti. Esses são os pântanos que corrompem o sangue-frio com emoções cujo somatório se define no pecado mortal que é a gula.
Neste ponto de viragem os papéis invertem-se, e nesse conforto traiçoeiro rapidamente se passa a presa.
O ponto de viragem tem que ser pressentido e antecipado quando dos primeiros sinais de conforto. Chamo a isto a solidão do sangue-frio. Este jogo, este desafio, é estéril nos sentimentos das antigas mesas octogonais, das finas noites entre cavalheiros de esbeltos bigodes. Hoje, a mesa tem o tamanho do planeta e tantos lados quantos os índices mundiais.

Há um bom livro do russo Fiodor Dostoiveski, O Jogador, sobre o qual já li boas análises e interessantes resenhas, todas afiançavam tratar-se de uma excelente obra que disseca o comportamento de um jogador profissional seduzido pelo vício do jogo.