28/09/06

O Monge que Vendeu o Seu Ferrari

Aplicar umas horas em investimento neste livro?
Eis a questão que me surgiu nos momentos que manuseei a oferta literária, enquanto pagava a revista Sábado. Raios partam o toque macio das capas, liso, perfeitamente geométrico, limpo e novo, predicados que me cativam de imediato. A cor e o grafismo também me seduzem, pese embora sejam as da Assírio & Alvim que mais me atraem. Nem sempre à primeira vista, mas adoro a sobriedade estampadas naquelas capas.
Questionava eu agora, perante este livro, se um valioso par de horas a disponibilizar não se tornaria num desperdício?
Lida a sinopse, e pela “pinta” do título “O Monge que Vendeu o seu Ferrari”, pensei cá para mim: este é daqueles que estão nos escaparates onde raramente paro, ou seja, esotéricos e de auto-ajuda. E porque carga de água iria um homem, depois de convertido à vida monástica, vender o seu Ferrari? Porque não o doou? Ao despojar-se dos bens materiais para que quis ainda o dinheiro?
Estes livros que abrem mentes e nos deixam, em 2 horas, sequinhos e bem passados, não me convencem. Já li “Quem Mexeu no Meu Queijo?” e não sei que pólvora é que aquilo tem que leva milhares de pessoas a louvá-lo! Não saiu dali ilação que surpreendesse. Uma simples fábula que demonstra que qualquer rato ao querer o seu queijo garantido e no mesmo sítio todos os dias, tal e qual o inveterado funcionário público, estão errados. O que é que vale como pretensa lição que só tardiamente os distraídos a aprendem? Isso inscreve, como refere o Prof. José Gil? Porque é que tantos o aclamam como obra-prima?
Prosseguindo a leitura da Sábado, reparo num dos outros títulos, incluído na lista dos livros oferta das próximas edições da revista: “Quem Mexeu no Meu Queijo?”; tcham!
Ficou tudo dito.

12 comentários:

Cazento disse...

Olá, Víctor.

Já está, já fiz o meu "update" de tudo o que o Víctor escreveu que eu ainda não tinha lido.

Quanto a livros como este do tal monge que, supostamente vendeu um Ferrari (qual?), também os encaro da mesma forma, ou seja, também não me convencem.

Qual monges a venderem Ferraris, este tipo de títulos jamais me convencerá de alguma coisa que me leve a comprar o livro, nem sequer por curiosidade.

Os únicos monges que eu realmente admiro e cujo trabalho deveria ser reconhecido e divulgado, são uns na Tailândia que se dedicam a proteger 10 tigres que lá têm, com o objectivo de os levarem a reproduzir-se e assim defenderem da extinção o mais belo, o mais forte e mais nobre animal do mundo: o TIGRE!!!!

Agora este monge se realmente vendeu um ferrari, especialmente se for um 599 GTB e se ele quer fazer qualquer coisa de realmente útil e proveitoso, que entregue o dinheiro da venda aos outros tais monges que protegem o TIGRE. Esses sim, fazem qualquer coisa de meritório e útil para a humanidade.

Um abraço,

João

V.F. disse...

Viva João!
Obrigado pelo update (até à data!), e pelo interesse demonstrado em ler as minhas dissertações!

Bem, após ficar a conhecer o principal personagem – um advogado norte-americano, famoso e bem sucedido, em tudo - o livro ficou definitivamente arredado. Certo é que satisfiz a minha já escassa curiosidade, e em consciência posso dizer que não houve má-fé da minha parte, e que fiz uma tentativa de leitura. Mas, como suspeitava, não resultou. Nunca irei saber se era um F40 ou um 348, ou se a(s) secretária(s) eram morenas ou louras…

Falando na Tailândia/Phuket, lembro-me de ter visto muitos locais onde monges cultivavam o budismo e da disciplina e serenidade estampadas nos seus rostos.
Quanto a esses monges que abrigam 10 Tigres, animal fabuloso diga-se, um portento de agilidade e força, fez-me recordar o saudoso Sandokan – O Tigre da Malásia, que é muito próximo da Tailândia - um dos paraísos terrestes onde, não há muito tempo, era território natural para os tigres a que se refere!

Aí é que reside o busílis da questão: uma vez despojado dos bens materiais e em pleno processo de desintoxicação da vida que levava, ao integrar-se na recolha de uma existência monástica, o genuíno crente deixa tudo á porta; não há lugar a preocupações que pertencem a um mundo que está num plano secundário que já não é o seu. Este processo não tem data marcada nem escrituras, nem posteriores agendamentos para venda de bens móveis e imóveis; simplesmente acontece espontaneamente. É espiritual! Tudo o resto cai por terra.

Bem, e por hoje já chega de filosofia... ;]

Um abraço,
Victor

Patrícia Geraldes disse...

Eu o direi se me convencem ou não, até porque me ofereceram este livro no meu dia de aniversário (esse alguém deve ter ficado furioso, afinal este livro saiu no dito jornal 1 semana depois!! e de certeza mais em conta!Ups!). Está na fila de leitura. Depois direi alguma coisa!
Jinhos

V.F. disse...

Olá Patrícia!

Olha, do livro em causa, apanhei este excerto por aí, na net:

«...É fundamental divertires-te enquanto percorres o caminho em direcção aos teus objectivos. Nunca te esqueças de quão importante é viver com um entusiasmo desenfreado. Nunca deixes de ver a beleza extraordinária de todos os seres vivos. O dia de hoje, este preciso instante que tu e eu estamos a partilhar, é um dom. Mantém-te alegre, curioso e com garra. Mantém-te concentrado na obra da tua vida e ajuda o próximo. O Universo encarregar-se-á de tudo o resto.
Esta é uma das leis mais verdadeiras da natureza.
.............
O Monge que vendeu o seu Ferrari - Robin S. Sharma»


You decide!

Quanto aos "azares", estão sempre a acontecer, e não é só com livros...
Até no estrangeiro, por exemplo, comprei coisas pressupostamente mais baratas, e quando cá cheguei...
Beijinhos

isa disse...

Pois...eu acabei de ler o dito agorinha mesmo e vim aqui parar sem saber como!!
Se vocês não fossem tão desesperadamente incrédulos(deve ser um desespero mesmo estar na m... e nem sequer conseguir obter um bocadinho de ajuda de um Livro de auto-ajuda destes!), eu dir-vos-ia q o Livro até é bem intencionado.
Ora pois, já sei a resposta!
Beijinhos e Xau! ;-)) isa

V.F. disse...

Cara Isa.
O seu comentário é confuso, sobretudo o que colocou entre parêntesis.

Fernanda disse...

Sobre o tao falado livro:
Nao foi o monge que vendeu o Ferrari, foi um advogado famoso. Bastava ler a contracapa para perceber isso, é pena que se tenha a triste ideia de comentar um livro que nao se leu e nem se sabe do que trata. Os titulos - de muitos livros - nao deixao perceber minimamente o que lá está dentro, ainda nao perceberam isso. É pena!
Relativamente ao titulo que fale de queijo (nem me consigo lembrar) nao faz parte da coleçao da Sábado!!! Da proxima é melhor dar opinioes com conhecimento de causa.
Fernanda

V.F. disse...

fui aí a um sítio da net e encontrei esta sinopse:

" Nessa obra, o autor ensina como dominar a mente e as emoções, ter autocontrole e colocar o tempo a seu favor, seja para tomar decisões, definir metas ou até mesmo comandar equipes. Além disso, mostra como é possível alcançar paz de espírito e felicidade...". Isto tudo em duas horas, e grátis, pois o preço do livro estava incluído na revista.

fui a outro sítio e encontrei:

"...A história de um advogado nova-iorquino de grande sucesso - Julian -, que, após ter sofrido um ataque cardíaco, resolveu abandonar a sua carreira profissional, viajando para o Oriente, na busca de um conhecimento diferente, que lhe permitisse descobrir uma outra qualidade de vida. Julian vendeu a sua mansão, o avião, a ilha privada nas Caraíbas, o Ferrari que possuía e mesmo o relógio Rolex..."

Quanto ao resto da colecção da Sábado, que já foi lançada há uns meses - "O melhor de si" - era melhor que se informassem

Anónimo disse...

Olá a todos,

Realmente a Fernanda tem toda a razão: Nunca se comenta um livro sem o ler. Isso é falar sem conhecimento de causa. E reforço não só pela historia do livro como pela sinopse da contra capa, que não foi o Monge que vendeu o Ferrari...foi o Advogado. Esse dinheiro permitiu-lhe a viagem e manter-se o tempo necessario para se tornar monge mais tarde. Se ele fosse Monge antes da venda do Ferrari é que era estranho, pois os monges não possuem tais bens materiais.
Mesmo para quem não necessita de ajuda, não deixa de ser uma historia bonita de coragem de viver em vez de sobreviver. Pode realmente não necessitar, mas há quem necessite de inspiração para viver cada dia da melhor maneira.
Um abraço,
Carina

V.F. disse...

Carina, contribuições como a que fez são sempre de acolher.
Obrigado,
Victor Figueiredo.

Anónimo disse...

Não concorco com comentários bons ou ruins de pessoas que não leram o livro. Eu lí e não achei um desperdício. O livro é agradável e de fácil leitura. É bem interessante. Eu recomendo. Abraços.

Anónimo disse...

Viva,
estava a fazer horas para apanhar um transporte público e o título do livro chamou-me a atenção. Foi o único que li do género. Abri uma página ao acaso, achei piada e comprei. Recomendava este inócuo livro a qualquer pessoa. É claro que tem muita página algo dispensável mas no cômputo geral pareceu-me que valeu a pena ler. Talvez mude alguma coisa na vida de cada um.
Cumprimentos,
Miguel